domingo, 11 de maio de 2014

Dia das Mães Especial

Hoje eu estava aqui pensando com meus botões: primeiro dia das mães implantada foi ano passado, mas ativada, ou seja, ouvindo pelo IC, hoje é meu primeiro.

Meus filhos e esposo se apresentaram no Coral da minha igreja (IBCC) e, posso dizer, fiquei muito emocionada em ouvi-los na homenagem feita às mães. Claro que eu filmei e fotografei, como toda boa mãe que gosta de registrar tudo faz...

Minha família e eu almoçamos na casa da minha mãe e isso me trouxe lembranças do passado. Lembrei que, quando criança, dos cinco aos oito anos, usava aquele aparelho de caixinha, para treinar a voz (perdi a audição aos 2 anos), mas detestava usar. Minha mãe sempre firme e com muito carinho, me incentivava a usar. Na escola, mamãe pedia para as professoras uma atenção especial comigo e meu aparelho e elas guardavam na hora do recreio, para não correr o risco de perder ou quebrar nas brincadeiras com os coleguinhas.

Lembro-me da minha mãe me levando à fonoaudióloga toda semana. Saíamos com minha mãe dirigindo da pequena cidade que morávamos e pegávamos estrada até uma cidade próxima para eu fazer fono. Foi assim até que mudamos para Campinas.

Em Campinas continuei a fazer fono e frequentei uma escola, onde novamente minha mãe recorria às professoras sobre minha situação, meu aparelho e atenção para eu poder entender as aulas. Graças a Deus, meu primário todinho os professores e diretora do Pio XII foram super atenciosos comigo. 

Minha mãe nunca se intimidou com o meu déficit auditivo e me colocou para fazer natação, jazz, piano, ginástica e me colocou para participar das atividades na igreja. Aos doze anos já pegava ônibus sozinha. 

Graças a Deus que tenho uma mãe determinada e batalhadora, que sempre buscou o melhor para mim e sempre me incentivou a ouvir. Isso foi muito importante para o desenvolvimento da minha audição e do meu caráter emocional.

Obrigada por tudo, mãe! Graças a Deus pela sua vida porque abençoou a minha!

Vou postar aqui uma mensagem que ela tentou deixar em algumas das minhas postagens, mas ela me enviou por e-mail. Fica aqui registrado o comentário da minha leitora fiel:

"Alê,

Tentei várias vezes. Caprichei no comentário mas, na hora de editar, falhou.
Mas o que eu quero lhe falar é que Deus dirigiu seus conhecimentos e colocou pessoas no seu caminho para ajudar.
Lembra que passamos um Ano Novo com pessoas novas entre eles a ¨tia¨ Lucia (professora do pré) disse que gostaria muito de ser sua professora aquele ano? E foi.
Era seu primeiro ano no PIO XII e ela foi preciosa para sua aprendizagem. Até guardava seu aparelho com muito carinho. Também os demais professores que tinham o cuidado de colocar você no meio e na frente. Então glórias a Deus e parabéns pela força e fé.!!!

Mãe"



quinta-feira, 17 de abril de 2014

Um ano de IC

Exatamente um ano atrás, fiz o Implante Coclear. A esta hora, um ano atrás, eu estava sozinha no quarto do hospital, assistindo TV, meio que tentando dormir. Estava super bem, nenhuma dor ou outra coisa que pudesse me queixar.

Soube que, quando cheguei no quarto, bem sonolenta após a cirurgia, a doutora Elaine, fonoaudióloga responsável pelo meu IC estava preocupada, procurando meu aparelho do outro ouvido, para eu não acordar sem ouvir. Quando achou, colocou no meu lado. Achei muito gentil da parte dela.

De fato, eu não me lembro de quase nada da pós-cirurgia. Estava tão sonolenta, as pessoas disseram que conversaram comigo e eu não me lembro de nada... Sem contar que eu amo dormir, ainda mais saindo da sedação.

Lembro sim que cheguei no quarto, me acordaram pra eu pular da maca pra cama, deitei e dormi de novo. Acordei bem depois. Ah, me lembro do Paulo também, me perguntando se estava tudo bem. Depois apaguei.

Gosto de lembrar da torcida dos parentes e de todas pessoas queridas, me desejando que tudo corresse bem na cirurgia. Lembro também que depois da cirurgia, das pessoas me perguntando: E aí, tá ouvindo? Eu explicava sorrindo: Ainda não, precisa ativar, demora um mês...

Estes dias eu estava pensando, comparando o antes e depois. Como eu ouvia antes do IC e como ouço agora com IC.

Antes do IC, eu usava somente o aparelho comum, no direito, desde meus oito anos de idade. Graças a ele, sempre pude ouvir e compreender bem, falar no telefone e entender alguém de costas ou longe de mim. Sempre pude ouvir e entender o que era qualquer som. Sim, graças ao meu velho aparelho comum analógico, que agora está com 15 anos de vida.

Depois do IC no ouvido esquerdo, eu passei a ouvir muitos sons que eu nunca tinha ouvido antes. Por exemplo: esfregar as mãos uma na outra ou passar as mãos em qualquer superfície, respiração, vários bips que eram inaudíveis antes, passar as mãos nos cabelos (nem sabia que fazia barulho), entre muitos e muitos outros sons. A cada dia descubro um som novo. Escuto passos, já sei que alguém está chegando. A voz das pessoas, as músicas, tudo está com mais som.

Eu fiz uma comparação curiosa do antes e depois. Antes, quando estava meio "silencioso", eu gostava de cantar alguma música, pra fazer algum barulho e espantar o silêncio ou para me distrair. Hoje percebo que canto bem menos, acho que como agora tem som e barulho o tempo todo... nem sinto mais falta de cantar, apesar de gostar. Talvez para prestar atenção em algum som. Como agora, por exemplo: estou escrevendo aqui e escuto o barulho da ventoinha do computador e de alguém lá na cozinha mexendo em alguma coisa. O mouse faz barulho quando clico com ele. O celular toca na sala. TV ligada. E por aí vai.

O IC completa o aparelho com som que ele não capta, ao mesmo tempo que o aparelho me auxilia na compreensão da fala. Como meu ouvido implantado ficou mais de 30 anos sem audição, o cérebro leva tempo para se adaptar aos sons entrando por este ouvido. Por isso comecei a fazer fono.

Curioso que hoje acordei feliz e pensei: 1 ano! Fui pegar meu aparelho comum e ao colocar na orelha, quebrou o cabinho do molde e não pude usá-lo. Como já precisava sair logo em seguida pra levar as crianças à escola e ir trabalhar, não tive como levar meu aparelho para arrumar. Fiquei somente com o IC a manhã toda e uma parte da tarde.

E tive muitos motivos para comemorar o primeiro aniversário do meu IC. Nada mais justo que comemorar usando somente o IC! Com ele sozinho, de manhã, escutei uma frase o meu filho Gabriel, que tinha dito: "Isto é mentira!". Olhei pra ele e perguntei: Você falou "isto é mentira"? Ele confirmou. Sorri.

Na hora do almoço, ouvi claramente Paulo dizendo atrás de mim: O que você quer que eu faça? (ele estava meio cansado e não estava muito animado a fazer o almoço). Eu disse: Pode cortar a couve? Depois percebi que tinha ouvido e fiquei gritando de alegria por dentro.

Para poder explicar como é que escuto sons pelo IC que o outro ouvido não escuta mas ainda não tenho a mesma compreensão da fala, fiz uma comparação com a cirurgia refrativa da miopia que fiz há onze anos atrás. Quando sai da mesa da cirurgia, eu enxergava bem embaçado mas conseguia perceber o que era que estava vendo, se era uma pessoa, uma casa ou um carro. Não via a forma bem definida mas sabia discriminar ou distinguir o que era. E aos poucos, as coisas foram tomando forma até enxergar bem por completo. A mesma coisa acontece com a audição do ouvido implantado, só que, no meu caso, com um maior espaço de tempo, pois quanto mais tempo sem ouvir, mais difícil e demorada a adaptação.


terça-feira, 15 de abril de 2014

Primeiro dia na Fono

Hoje conheci a fonoaudióloga Nirley, com quem comecei a fazer fono. Amei conhecê-la! Ela foi muito indicada pela fonoaudióloga Elaine Soares, responsável pelo mapeamento do meu IC.

A verdade é que era pra eu ter feito isso há muito tempo (desculpa, doutora Elaine), mas o que aconteceu foi que agora sinto mais falta de uma ajuda. No começo, achei que era falta de adaptação, mas já se passou quase um ano e, embora ouça muitos sons somente pelo IC, ainda dependo da compreensão da fala que tenho com meu aparelho comum. Consigo falar no telefone ou entender uma pessoa falando sem olhar para ela, mas dificuldade de compreender as pessoas falando. No começo, somente pelo IC já era difícil, agora com o IC mesmo acompanhado do aparelho comum ainda mostro dependência deste último.

Hoje Nirley e eu conversamos sobre minha vida, de quando perdi a audição até atualmente. Foi tão agradável a nossa conversa que o horário passou e não percebemos.

Agradeço a Deus por ter me dado esta oportunidade, pois soube que seria muito difícil conseguir um horário com Nirley. Fui à clínica semana passada já quase certa que iria demorar para conseguir uma vaga, ainda mais com ela. Conversei com Mayara, a simpática atendente da recepção, que foi muito prestativa e super atenciosa comigo. Expliquei que tinha feito IC e que precisava fazer fono e me indicaram Nirley. Com muita tranquilidade, Mayara me explicou que seria um pouco difícil, mas que poderia sugerir outras fonos também muito boas. E sorrindo tranquila, eu disse que poderia ser outras fonos sim, mas de preferência, a Nirley. Mayara anotou os meus contatos e, para minha minha grata surpresa, me telefonou no dia seguinte! Já marcou pra mim pra começar na terça feira da semana seguinte (que foi hoje) com a Nirley!

E também agradeço a Deus pois me sinto cuidada por uma equipe reunida e que conhece a minha história. Um comunica o outro sobre a situação, estão interligados entre si. Foi assim desde o começo e é até hoje. E sei que Deus está cuidando de mim através deles.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Dia Internacional do Implante Coclear

Hoje é o dia internacional do Implante Coclear! Acho que nada mais justo o nosso querido IC ter um dia só para ele. Com certeza, muitos milhares de implantados pelo mundo afora comemoraram neste dia com alegria infinda. Há mais de 50 anos temos motivos para comemorar, do primeiro implantado até o último. Fiquei muito emocionada de ver fotos de vários implantados de todas as idades e de várias nações, de ler em várias línguas "Feliz Dia Internacional do Implante Coclear". Até vídeo fizeram, com fotos de implantados com suas famílias e em encontros com outros "irmãos" de IC.

Para brindar este dia, quero comemorar contando uma historinha, algo que aconteceu comigo há alguns dias atrás. Novas descobertas!

Estou eu lá na cozinha colocando um comprimido efervescente de vitamina C no copo com água para dissolver e enquanto aguardo, ouço um som. Acho que os ouvintes já até sabem o que é, mas a verdade é que eu ouvi o barulhinho do comprimido se dissolvendo! Geeeente! Eu não sabia que este negócio fazia barulho!! Que barato!!! Fiquei tão surpresa que peguei o copo e fiquei com ele bem pertinho do ouvido com IC para ficar ouvindo até o comprimido acabar de dissolver. 

Sabe como eu me sinto nestas horas? Eu realmente fico maravilhada diante dos "novos" sons, pois para mim, algo deste tipo que descrevi em cima não fazia barulho nenhum! Antes do IC, eu olhava para o copo com o comprimido efervescente e era como se não tivesse som nenhum, portanto, nenhuma vida, totalmente inanimado! Não sentia nada. Via somente o copo e o comprimido dissolvendo e a água mudava de cor, ficava laranja. Hoje, eu olho para o copo com o comprimido efervescente, sinto mais forte aquelas bolhinhas subindo com o som de "sshhhii", é como se ele tivesse vida! Agora tudo tem som e portanto, tudo parece que tem vida! Percebe? É fantástico isso!

Agradeço a Deus sempre pelo IC, pois ele melhorou minha audição, muito embora eu ainda precise do AASI para compreensão da fala, mas é questão de treino e adaptação e ouço muitos sons com ele que eu não ouvia. 

Parabéns a todos os implantados que acreditaram na oportunidade de ouvir e também aos pais que optaram por fazer o IC em seus filhos! 









quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Diferença

Vou explicar aqui para quem não sabe sobre como é a bateria do Implante Coclear e a recarga. Com o meu implante vieram duas baterias e um carregador (entre mil outras coisas). No começo, eu deixava as duas baterias descarregarem para carregá-las juntas. Atualmente, acabou uma, troco e já ponho pra carregar, assim quando acaba, tenho uma carregada, pra não ficar sem enquanto carrega. Conselho dado pela minha irmã de IC Ciça (obrigada, Ciça!!!).

Hoje minha memória falhou e achei que a outra que eu não usava estivesse carregada. Daí que acabou, troquei, mas rapidinho acabou o som... Falei: "Vou por as duas pra carregar e vou ficar sem o IC... é estranho ficar sem ele, mas vai passar rapidinho". Meu outro ouvido, com aparelho comum, daria conta do recado. Afinal, ele era o "ouvido bom" antes da cirurgia do IC. E fui fazer as coisas de casa, lavar roupa e cuidar da papelada (dona de casa também tem que administrar as finanças...).

Estou eu lá na mesa entretida nas contas e noto que meu celular novo (presente do maridão) não está fazendo som quando chega mensagem. Ele sempre faz um "tin" bem alto, que escuto bem se ele estiver na sala e eu na lavanderia lá fora. Resolvi mexer no volume e mas estava normal. Mesmo volume, mesmo toque. Não estava no mudo. Deixei pra lá.

Paulo chegou, e quando conversava com ele, de novo meu celular acende e não escuto som. Já preocupada, comecei procurar algum defeito quando me acendeu uma luz e pensei comigo: "Você tá sem o IC, minha querida!!! Entendeu a diferença???". Não me contive, comecei a rir sozinha e contei pro Paulo. Cada novidade assim eu vibro, saio correndo pela casa para contar para o primeiro que vir na frente, é muito bom! Obrigada, Senhor, mais uma vez!

Há uma diferença muito grande nos meus quatro momentos de audição: primeiro, com os dois ouvidos equipados (direito com AASI, esquerdo com IC - fico assim na maior parte do tempo), segundo, apenas com o AASI, terceiro, apenas com o IC e quarto, sem nenhum deles. Para cada ocasião, posso escolher, né? Por exemplo, pra dormir, sem nenhum é ótimo!



sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Primeira audiometria

Dia 28 de agosto passado (exatos quatro meses atrás) fiz minha primeira audiometria após minha cirurgia. Estava um dia frio e eu fui com uma jaqueta grossa (japona, como meus pais chamam). Minha filha Giulia foi comigo.

Entrei numa salinha pequena, não me lembro se as paredes eram cheias de furinhos ou de espuma em forma de caixa de ovos. Era uma sala à prova de som. Sentei numa cadeira, em frente a uma grande "janela" de vidro, onde podia ver Elaine, a fonoaudióloga, que me orientou a levantar a mão quando ouvisse algum apito (ou som). O engraçado é que Giulia ficava atrás da Elaine e me dava sinal pra eu levantar a mão, querendo me ajudar a ir bem no exame.

Fiz vários testes, com o IC junto com o AASI, com o IC sozinho e com o AASI sozinho. Sem nenhum dos dois não ia adiantar nada - zero som. Pra dormir é ótimo!

A princípio foi um pouco difícil fazer o exame com o IC, pois minha jaqueta era super ruidosa e eu confundia com os sons do apito. Era só me mexer um pouco que a jaqueta fazia barulho e me atrapalhava. Decidi tirar e ficou bem mais fácil perceber os sons.

Elaine ficou super satisfeita com o resultado que até enviou uma cópia para Dr Henrique, otorrino responsável pela minha cirurgia.

Abaixo, as duas audiometrias, do ouvido direito (AASI - aparelho comum) e do ouvido esquerdo (IC)

Como se pode ver pela audiometria, o ouvido do IC alcançou melhores resultados que o ouvido do aparelho comum. Quando soube, fiquei tão feliz! Em três meses de ativação, o ouvido operado estava melhor que o ouvido "bom". Só tenho a agradecer a Deus por isso!

Algumas pessoas têm comentado que eu estaria ouvindo melhor a fala. Outras comentam que minha voz melhorou. Eu acho que elas não deixam de ter razão. Antes da cirurgia, eu penava para as pessoas entenderem o que eu dizia, por exemplo, quando eu falava o número do meu CPF para Nota Paulista. Os caixas quase sempre erravam e perguntavam várias vezes até conseguirem entender. Hoje, quando eu dito o bendito número, olha só! Eles entendem logo de cara e sem olhar pra mim! São resultados como estes que me encorajam cada vez mais a colocar o IC no outro ouvido!

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

8 meses!

Há tanto tempo que não escrevo aqui que nem sei por onde começo... tantas novidades pra contar, que fico até perdida!

O fato é que estou a cada dia que passa mais feliz pela minha decisão de colocar o IC no ouvido esquerdo, que estou cada dia mais corajosa para fazer no direito.

Hoje estou fazendo oito meses de IC, com muito motivos para comemorar. Tamanha foi minha felicidade quando, nesta semana que passou, ao acordar bem cedinho (ainda meio escurinho, cinco e meia da manhã) e já de IC (somente ele, pois a fono pediu pra ficar algumas horas assim) fui à cozinha e ao chegar lá, escutei um barulho. Achei que era torneira pingando, pois era um barulho bem audível, mas ao olhar para a pia, não tinha nada aberto. Estranhei e fiquei parada, na escuta. Era um barulho ritmado, perfeito no tempo do seu compasso. Olhei para o relógio que fica no alto da parede da cozinha e... lá estava ele! O ponteiro de segundo!


Sabe quanto tempo eu tenho este relógio? Exatos dez anos (ganhei em uma confraternização de fim de ano). E pela primeira vez eu ouvi os "tic tac"!

Fiquei tão maravilhada com este novo som que fiquei alguns minutos ouvindo. Que gostoso! Embora ele sempre estivesse lá, é um som novo pra mim, e como todo "novo som", gosto de ficar ouvindo.

Eu ainda estava a contemplar a descoberta quando ouvi outro som, não muito bonito mas curioso: minha velha geladeira começou a fazer aquele barulho de motor (que liga e desliga toda hora). O som do relógio diminuiu, mas eu ainda conseguia ouvir. E aí os pássaros começaram a cantar e começou aquela "sinfonia rotineira".

Quando Paulo acordou, falei com ele: "Você está ouvindo o relógio?". Ele olhou pra mim sem entender. "Ouve só que legal, o ponteiro do relógio! Ouve!". Fechou bem os olhos, como se estivesse se concentrando para ouvir. Daí disse: "Estou ouvindo, mas beeeem baixinho...". Imagino eu que seria por causa da "sinfonia rotineira", porque naquela altura já tinha vários outros sons.

Depois toda feliz contei (também) para meu filho Guilherme que tinha ouvido o som do relógio. A reação dele foi quase a mesma do pai. Fez cara de quem não entendeu direito e disse: "Nossa mãe! Eu nem ouço direito este som!". Muito engraçado...

No dia seguinte, a mesma coisa. Só que desta vez eu estava na copa lendo a Bíblia e de lá ouvi o som do segundo perfeitamente, vindo da cozinha!

 Eu só tenho a agradecer a Deus por tamanho presente! Obrigada, Senhor!